segunda-feira, 29 de julho de 2013

Há 75 anos, no vizinho Estado Espanhol...

(Um filme, que também só vi já depois de me ter "reformado" do activismo anarquista e que penso que possa ser interessante para algumas das pessoas que consultam este blogue - e que deixo aqui como sugestão para as férias em que sei que muitos estarão. A visualização do mesmo, talvez seja melhor que seja feita na sua versão original, em inglês. Embora o castelhano seja algo que a muitos possa despertar mais sentimentos.) ;)

sábado, 20 de julho de 2013

Algumas considerações sobre o actual sistema de ensino

(Chegadas as férias escolares para muitos, aqui fica, talvez, um estímulo, para uma muito importante reflexão a ser feita - quer por educandos, quer por educadores - do que se faz a crianças e a jovens em todo o Mundo...)

Deixo aqui <esta> introdução e também <esta> (nas quais se incluem várias hiperligações que poderão explorar) seguidas de um discurso - muito agradável de se ouvir - da parte de quem é capaz de entender - ou de (tal como o autor deste blogue, há uns bons anos, demonstrava no que escrevia) se aperceber - enquanto vítima do mesmo, do processo de estupidificação e domesticação de que é alvo - para ver se, com isto, algumas luzes se acendem nas cabeças dos mais críticos e atentos à realidade à sua volta...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Extraordinária capacidade de memória

Uma notícia antiga, do início do século passado - que encontrei, ao procurar pelo (familiar) termo "portuguese anarchist" (com aspas) no motor de busca da Google - que foi publicada num jornal do nordeste dos EUA, a propósito do que tinha sido o recente regicídio em Portugal.




(Suponho que os leitores deste jornal deviam ser pessoas mesmo muito estúpidas...)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

"Já cá canta..."



Fui buscá-lo ontem - depois de vários anos de interesse e por só agora ter dinheiro para comprar livros - à delegação local da empresa responsável pelo envio, após tê-lo comprado, via Internet, numa loja de livros antigos em Madrid, por menos de 10 euros (excluindo os portes de envio).
É de uma das primeiras edições, dos anos 50.
E, como penso que deve ser, para qualquer livro volumoso e importante que se preze, escolhi este, em particular, por ter uma capa dura e resistente - e também vermelha, a condizer. ;)
Está em muito bom estado de conservação, para a idade, e não tem qualquer defeito a assinalar.
Quem quiser lê-lo, em formato PDF, pode procurá-lo nesta hiperligação.
E, quem não souber, e quiser saber, que livro é este, pode ler a seguinte introdução - [1] [2] - feita por um autor que, ainda que não sendo um que me agrade (muito), fez uma boa sinopse do que se trata - e pode também, se quiser, descarregar o ficheiro, disponibilizado por tal autor, que contém a parte que mais interessa (traduzida para inglês).

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Mais uma Greve Geral desvirtuada (e, em boa parte, silenciada)

Tendo feito questão em ver, ao final do dia, um noticiário televisivo que me contasse o que se passou nesta Greve Geral, deparo-me - às 00:00 horas, no canal TVI24 - com uma notícia de uma ridícula "forma de luta" que consistiu em tentar bloquear a Ponte 25 de Abril. 
(Ponte essa, na qual - tal como qualquer pessoa que a utilize sabe - passam frequentemente ambulâncias.)
Um acto estúpido e ridículo, não há dúvida... Mas, infelizmente, também um tipo de acto que se tem vindo a repetir, aquando das grandes manifestações que acompanham as Greves Gerais que têm vindo a ser feitas no nosso país.
O que me leva a questionar a ocorrência destes mesmos actos...

É esta, agora, uma ocorrência normal de cada vez que haja uma Greve Geral?
Ter um grupo de manifestantes que faz sempre algo que, ou é simplesmente estúpido, ou desvia as atenções do que foi a Greve Geral, em si?

Ainda esperei para ver se, depois de reportarem sobre esta tentativa de bloqueio, diziam mais alguma coisa sobre a Greve. Mas, nada...
Foi um sucesso? Não foi um sucesso? Que coisas foram ditas - em possíveis discursos, ou em palavras de ordem - por quem a esta Greve aderiu e se manifestou em frente à Assembleia da República?
Nada. Nem uma palavra, sobre tudo mais que aconteceu(?)...
Coisa que, desta vez, até me surpreendeu...
Pois, que um órgão da imprensa controlada faça - propositadamente ou não - um mau trabalho a reportar um acontecimento, não é coisa que me surpreenda. Agora, que omita (e completamente) algo de muito importante que ocorreu nas ruas da capital do nosso país (e, sobre o qual era mais- -que-suposto reportar) é que já é uma coisa da qual eu não estava à espera... E, também coisa que me faz reparar, ainda mais, na repetida ocorrência deste tipo de actos mediáticos. Assim como, questionar seriamente a coincidência da ocorrência dos mesmos...
Pois, já reparei que é sempre que ocorre uma destas muito grandes e significativas manifestações de descontentamento popular - que pode enviar uma muito grande e clara mensagem, a todos que fazem parte desta sociedade, de que algo de muito errado e de muito mal se passa neste país - que surgem sempre estas acções que - ainda que, sendo secundárias - são aquelas nas quais a imprensa controlada sempre decide se focar, em detrimento de tudo o resto que se passa e passou, no acontecimento principal que lhes serve de pretexto.
O que, naturalmente, me leva a questionar todo este fenómeno combinado...
  • Quem é que anda a instigar estas pessoas, para que façam tão estúpidas coisas?
  • Fazem estas pessoas (que participam em tais actos) sequer parte das organizações sindicais que convocam estas manifestações?
  • Porque é que é sempre que ocorre um destes grandes acontecimentos (com um imenso significado social) que surgem este tipo de manifestantes, a fazer as coisas piores, mais estúpidas e mais ridículas?
  • Se é fazer coisas que, repetidamente, não são aprovadas por quem convoca estas grandes manifestações, por que é que é sempre na sequência ou decorrer das mesmas que decidem estes manifestantes fazer este tipo de coisas - em vez de as fazerem num qualquer outro dia?
  • (E, a pergunta que deve sempre ser feita, para qualquer tipo de ilegalidade...) "Quem é que beneficia deste tipo de acções?"
Quem me lê, e sabe o tipo de intuição que tenho (e que me faz descobrir as coisas que descubro), saberá onde quero chegar... E, sobre isso, penso que mais nada aqui preciso de dizer... Assim sendo, (e, para finalizar) aproveito apenas para fazer alguma luz sobre (a inteligência de) o tipo de pessoas que decidem aderir a este tipo de propostas ridículas, mostrando uma reportagem antiga sobre uma outra acção deste tipo, que ocorreu há já uns bons anos, também nas ruas da nossa capital.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Símbolo do "#changebrazil" é o mesmo das "revoluções coloridas"

O que eu já sei, para além disto, é já suficiente para perceber do que tudo isto realmente se trata...
Mas, para os mais ingénuos e ignorantes, aqui vai mais uma prova (para juntar a várias - [1] [2]) de que todo este alvoroço se trata, na verdade, de uma tentativa, maioritariamente organizada por forças exteriores ao mesmo (em colaboração com os seus fantoches locais), de desestabilizar politicamente o Brasil, sabotar a sua Economia emergente (que poderá, um dia, vir a rivalizar com as mais desenvolvidas do Ocidente) e substituir o governo deste país. Que (concorde-se ou não com o modelo económico por ele implementado - e, ainda que se trate de um governo com vários problemas sérios por resolver) tem vindo (dentro do possível) a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos do seu país e a deixar o país melhor do que estava, antes do partido por ele responsável ter subido ao poder. (Tudo, note-se, razões mais que suficientes para que seja alvo de uma tentativa de golpe e sabotagem destas...)
Se consultarem a página no YouTube onde são colocados os vídeos do sujeito mencionado na minha colocação anterior, poderão lá ver o símbolo que se encontra em cima e à esquerda deste texto.
Símbolo esse, que os mais atentos e bem informados, irão reconhecer doutros sítios...
Pois, é o mesmo símbolo que aparece em tudo o que são "revoluções coloridas", feitas para derrubar governos não alinhados com o Ocidente. E é também o mesmo símbolo usado pelos grupos que tentam desestabilizar a Rússia e a Venezuela.
(Mais uma muito boa prova de quem é que realmente está por trás disto...)
Como disse, tudo isto é já, para mim, mais que suficiente para saber do que realmente se trata toda esta confusão... E, por isso, não deverei sequer fazer mais colocações aqui sobre este assunto... Irei, antes, esperar que também nos meus sítios de referência na Internet se comecem a aperceber disto e a denunciá-lo - e, depois disso, irei deixar aqui, como comentários a esta colocação, as hiperligações para as confirmações por estes mesmos bons sítios de análise feitas.

Vivam o Brasil, o seu Desenvolvimento e o seu Futuro!

Morram o Imperialismo Anglo-Americano e a sua "Nova Ordem Mundial"!

sábado, 22 de junho de 2013

Alguns esclarecimentos sobre o que realmente se passa no Brasil

Tudo isto tem indícios de ser mais uma tentativa de "revolução colorida", das muitas que são feitas para desestabilizar países não alinhados com a NOM e substituir os seus governos. Mas, felizmente, é cada vez maior o número de pessoas que disto se começam a aperceber...

What is this, “companheiro”?



Recebi e copio aqui um texto da maior importância, que deve ser lido por todos os que ainda duvidam da presença de grupos organizados de provocadores e por gente contrária ao Brasil que se aproveita dos desejos generosos que movem os jovens que estão se manifestando em todo o Brasil.

Tem boi na linha. #changebrazil? Quais [são] seus interesses?

“Quanto mais pessoas colocarem pressão sobre o Brasil, mais rápido o Brasil terá que se dobrar”, diz porta-voz anônimo do movimento ChangeBrazil.

Nem tudo que está acontecendo parece ser espontâneo. Qualquer pessoa que já tenha trabalhado com planejamento de campanha publicitária, especialmente online, sabe que algo assim é possível. Não é tão diferente de planejar o lançamento de um filme ou turnê para o público jovem.

Há um movimento na internet, que surgiu no dia 14 de junho, voltado principalmente para jovens, chamado #changebrazil (surgiu assim mesmo, em inglês). Em português o nome do movimento é Muda Brasil. Esse movimento postou vídeos, aparentemente espontâneos, que foram vistos por mais de 1 milhão de pessoas, a maioria deles jovens (muitos secundaristas) que estão indo para as manifestações em clima de festa e máscara V de Vingança.

Na quinta-feira, dia 13 de junho a polícia de Geraldo Alckmin (PSDB)  reprimiu de forma violenta manifestantes do Movimento Passe Livre, cidadãos e jornalistas. Logo no dia seguinte a grande imprensa passou a defender o movimento e surgiu um vídeo, em inglês, com legendas em inglês, que se intitulava “Please Help us” (Por favor, nos ajude). O vídeo, com um narrador com visual rebelde (alguém sabe quem ele é?) que já foi visto por mais de 1 milhão e 300 mil pessoas, passa rapidamente sobre tarifa de ônibus, critica a mídia e estimula aos jovens o ódio contras os políticos, enaltece o STF e estimula quem ver o vídeo a espalhá-lo e debater o assunto na internet. Sugiro que quem não entende o clima da juventude no protesto ou que tem ilusões de que eles são de esquerda, o assista. http://youtu.be/AIBYEXLGdSg

O vídeo parece simples, mas a iluminação e fundo é profissional, foi feito em estúdio, e se prestar atenção, verá que o manifestante (alguém o conhece?) de inglês perfeito, está lendo um teleprompter. O vídeo é feito em inglês, mas a maioria dos comentários é de brasileiros. Não há acessos a estatísticas. O vídeo foi feito e visto provavelmente por brasileiros, jovens, de classe média e alta que falam inglês. Fala da Copa do Mundo (preste atenção: todos falarão). E termina dizendo que “o povo é mais forte que aqueles eleitos para governá-los”.

Que movimento pelo Passe Livre faria um vídeo em inglês? Quem é esse sujeito? Quem pagou essa produção, feita em estúdio com teleprompter? http://youtu.be/AIBYEXLGdSg

As dicas sobre quem ele é o que as pessoas que estão por trás disso querem estão no segundo vídeo, postado durante as manifestações de segunda-feira.  Este fala em português. Carregado de sotaque, celebra a tomada do Congresso Nacional por “protestantes” (sic). Esse vídeo foi menos visto, mas não pouco visto, são 66 mil pessoas. http://youtu.be/z-naoGBSX9Y Ele dá parabéns pela manifestação, pelas pessoas mostrarem que “amam” seu país. E segue para dar instruções. Cita as hashtags #changebrazil e o #brazilacordou. Diz que o público não pode se desconcentrar nisso pelo gol do Neymar, ou pelo BBB. Diz que não devem falar de outros assuntos. Mas ao mesmo tempo a mensagem é vazia além de “Muda Brasil”. Ele se refere sempre sobre o que acontece como isso. E no minuto 2:06 ele diz para as pessoas fazerem o material para o exterior porque “quanto mais pessoas colocarem pressão sobre o Brasil, mais rápido o Brasil terá que se dobrar”.

Que movimento é esse que quer mudar o Brasil fazendo ele se dobrar?

Ele mistura nas pautas do seu “movimento coisas que todos defendem, como contra a corrupção, e mais verbas para saúde e educação. Talvez por “coincidência” as mesmas pautas centrais, com a mesma linha de discurso foi postada em um vídeo suspostamente feito pelo grupo Anonymous justamente quando as tarifas iam baixar para propor novas causas. Ele já foi visto por 1 milhão e 400 mil pessoas. http://youtu.be/v5iSn76I2xs Importante lembrar que como os vídeos do Anonymous usam imagem padrão e voz falada por digitada pelo Google, e são postadas em contas do Youtube aleatórias qualquer um pode fazer um vídeo se dizendo Anonymous.

O nosso amigo de sotaque não é o único vídeo que veio de fora. Já ficou famoso o vídeo de uma menina bonitinha, Carla Dauden, uma brasileira que mora em Los Angeles, falando contra a Copa do Mundo. Na descrição do vídeo ela diz que tinha feito o vídeo antes dos protestos (talvez para justificar a produção apurada), mas postou no dia 17 de junho. Carla diz [que] mais de 2 milhões de pessoas o viram. De novo, em inglês com legendas. Pretensamente para o exterior, mas de novo a maioria dos comentários é brasileiro. Ou seja, são para jovens que falam inglês. Diz mentiras como que os custos do evento teriam sido 30 bilhões de dólares, o que parece que os estádios custaram isso. Quando na verdade os custos reais são 28 bilhões de dólares, a maior parte em obras de mobilidade urbana, não estádios – veja o vídeo aqui: http://youtu.be/ZApBgNQgKPU. Mas quem está checando acusações?

Prestem atenção. A soma de apenas esses 3 vídeos somente deu 5 milhões de visualizações no Youtube.

Dê uma busca por changebrazil ou Muda Brasil, o nome dos vídeos em português do “movimento” que quer dobrar o Brasil no Youtube, e descubra você mesmo. Será que está acontecendo um 1964 2.0?

Por Fernando Brito

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Não há um “movimento” em disputa, mas uma multidão sequestrada por fascistas


Por Marco Aurélio Weissheimer

O que começou como uma grande mobilização social contra o aumento das passagens de ônibus e em defesa de um transporte público de qualidade está descambando a olhos vistos para um experimento social incontrolável com características fascistas que não podem mais ser desprezadas. A quem interessa uma massa disforme na rua, “contra tudo o que está aí”, sem representantes, que diz não ter direção, em confronto permanente com a polícia, infiltrada por grupos interessados em promover quebradeiras, saques, ataques a prédios públicos e privados, ataques contra sedes de partidos políticos e a militantes de partidos, sindicatos e outros movimentos sociais? Certamente não interessa à ainda frágil e imperfeita democracia brasileira. Frágil e imperfeita, mas uma democracia. Neste momento, não é demasiado lembrar o que isso significa.

Uma democracia, entre outras coisas, significa existência de partidos, de representantes eleitos pelo voto popular, do debate político como espaço de articulação e mediação das demandas da sociedade, do direito de livre expressão, de livre manifestação, de ir e vir. Na noite de quinta-feira, todos esses traços constitutivos da democracia foram ameaçados e atacados, de diversas formas, em várias cidades do país. Houve violência policial? Houve. Mas aconteceram muitas outras coisas, não menos graves e potencializadoras dessa violência: ataques e expulsão de militantes de esquerda das manifestações, ataques a sedes de partidos políticos, a instituições públicas. Uma imagem marcante dessa onda de irracionalidade: os focos de incêndio na sede do Itamaraty, em Brasília. Essa imagem basta para ilustrar a gravidade da situação.

Não foram apenas militantes do PT que foram agredidos e expulsos de manifestações. O mesmo se repetiu, em várias cidades do país, com militantes do PSOL, do PSTU, do MST e pessoas que representavam apenas a si mesmas e portavam alguma bandeira ou camiseta de seu partido ou organização. Em Porto Alegre, as sedes do PT e do PMDB foram atacadas. Em Recife, cerca de 200 pessoas foram expulsas da manifestação. Militantes do MST e de partidos apanharam. O prédio da prefeitura da cidade foi atacado. Militantes do MST também apanharam em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre outras cidades. Em São Paulo, algumas dessas agressões foram feitas por pessoas armadas com facas. E quem promoveu todas essas agressões e ataques. Ninguém sabe ao certo, pois os agressores agiram sob o manto do anonimato propiciado pela multidão. Sabemos a identidade de quem apanhou, mas não de quem bateu.

Desde logo, cabe reconhecer que os dirigentes dos partidos, dos governos e dos meios de comunicação têm uma grande dose de responsabilidade pelo que está acontecendo. Temos aí dois fenômenos que se retroalimentam: o rebaixamento da política à esfera do pragmatismo mais rasteiro e a criminalização midiática da política que coloca tudo e todos no mesmo saco, ocultando da população benefícios diários que são resultados de políticas públicas de qualidade que ajudam a vida das pessoas. Há uma grande dose de responsabilidade a ser compartilhada por todos esses agentes. A eternamente adiada Reforma Política não pode mais esperar. Em um momento grave e difícil da história do país, o Congresso Nacional não está em funcionando. É sintomático não ter ocorrido a nenhum dos nossos representantes eleitos pelo voto convocar uma sessão extraordinária ou algo do tipo para conversar sobre o que está acontecendo.

Dito isso, é preciso ter clareza que todos esses problemas só poderão ser resolvidos com mais democracia e não com menos. O rebaixamento da política à esfera do pragmatismo rasteiro exige partidos melhores e um voto mais esclarecido. A criminalização da política, dos partidos, sindicatos e movimentos sociais exige meios de comunicação mais responsáveis e menos comprometidos com grandes interesses privados. Não são apenas “os partidos” e “os políticos” que estão sendo confrontados nas ruas. É a institucionalidade brasileira como um todo e os meios de comunicação são parte indissociável dessa institucionalidade. Não é a toa que jornalistas, equipamentos e prédios de meios de comunicação estão sendo alvos de ataques também. Mas não teremos meios de comunicação melhores agredindo jornalistas, incendiando veículos de emissoras ou atacando prédios de empresas jornalísticas.

Uma certa onda de irracionalidade atravessa esse conjunto de ameaças e agressões, afetando inclusive militantes, dirigentes políticos e ativistas sociais experimentados que demoraram para perceber o monstro informe que estava se formando. E muitos ainda não perceberam. Após as primeiras grandes manifestações que começaram a pipocar por todo o país, alimentou-se a ilusão de que havia um “movimento em disputa” nas ruas. O que aconteceu na noite de quinta-feira mostra claramente que não há “um movimento” a ser disputado. O que há é uma multidão disforme e descontrolada, arrastando-se pelas ruas e tendo alvos bem definidos: instituições públicas, prédios públicos, equipamentos públicos, sedes de partidos, jornalistas, meios de comunicação. Os militantes e ativistas de organizações que tentaram começar a fazer essa disputa na noite de quinta foram repelidos, expelidos e agredidos. Talvez isso ajude a clarear as mentes e a desarmar um pouco os espíritos para o que está acontecendo.

Não é apenas a democracia, de modo geral, que está sob ameaça. Há algo chamado luta de classes, que muita gente jura que não existe, que está em curso. Não é à toa que militantes do PT, do PSOL, do PSTU, do MST e de outras organizações de esquerda apanharam e foram expulsos de diversas manifestações ontem. Com todas as suas imperfeições, erros, limites e contradições, o ciclo de governos da última década e em outros países da América Latina provocou muitas mudanças na estrutura de poder. Não provocou todas as necessárias e esse é, aliás, um dos fatores que alimentam a explosão social atual. Mas muitos interesses de classe foram contrariados e esses interesses não desistiram de retornar ao poder plenamente. Tem diante de si uma oportunidade de ouro.

Como jornalista, militante político de esquerda e cidadão, já firmei uma convicção a respeito do que está acontecendo. Uma multidão cuja direção (rumo) passou a ser atacar instituições públicas, sem representantes, infiltrada por grupos de extrema-direita, que rejeita partidos políticos e hostiliza manifestantes de esquerda, não só não me representa como passa a ser algo a ser combatido politicamente. Ou alguém acha que setores das forças armadas e da direita brasileira estão assistindo a tudo isso de braços cruzados?

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Seguir lutando e rejeitar as manobras golpistas da direita


[Portal Vermelho]

Os acontecimentos da última quinta-feira (20) mostram que tendências contraditórias estão presentes na grande onda de movimentações populares em todo o país. É preciso refletir sobre elas. O movimento popular tem na experiência atual um manancial de ensinamentos para orientar-se corretamente e resguardar-se de atuar como massa de manobra da direita golpista.

Em mais de 100 cidades, dentre elas 25 das 26 capitais, realizaram-se manifestações de massas que mobilizaram mais de um milhão de pessoas. Um movimento cívico, popular, combativo, jovial, irreverente e – pela orientação dos seus organizadores e vontade da maioria dos participantes – pacífico. Mas a direita deu passos importantes na instrumentalização dos protestos e na tentativa de desviá-los para outras finalidades.

As manifestações foram infiltradas por provocadores que realizaram atos violentos e assumiram bandeiras políticas conservadoras. A transformação da luta democrática e social em um cenário de caos e desordem só favorece as forças da direita golpista.

Os atos e passeatas tinham como eixo, desde o seu início há duas semanas, a luta pela redução das tarifas do transporte urbano ou por sua gratuidade total. Num quadro em que esse transporte é caro e de péssima qualidade, em cidades de trânsito congestionado, a reivindicação calou fundo e alcançou enorme adesão popular.

Ao mesmo tempo, em face dos flagrantes contrastes e desigualdades sociais nos grandes centros urbanos, que mais se assemelham a caóticos aglomerados de pessoas do que a cidades humanas e organizadas, a reivindicação em torno da questão dos transportes logo extravasou para outros temas igualmente sensíveis.

Inicialmente incompreendido pelas autoridades que alternaram seu comportamento entre a soberba e a repressão, o movimento transformou-se em gigantesco pronunciamento da população na luta por direitos sociais. Mesmo o protesto contra os gastos com a construção de estádios e outros equipamentos para a Copa do Mundo de 2014 – embora equivocado na sua concepção, mal orientado e propenso à violência – também era compreensível.

Ainda que com plataforma difusa, as manifestações significaram um avanço na consciência política da população. Com o anúncio da redução das tarifas dos transportes em dezenas de cidades – principalmente em São Paulo, onde os protestos tiveram origem – é insofismável que a luta foi vitoriosa e é correto reiterar: lutar é um direito sagrado do povo brasileiro, conquistado a duras penas. Sempre vale a pena lutar.

O sentido das manifestações desta quinta-feira era precisamente o de comemorar a vitória e preparar-se para novos passos.

Mas por incitação da mídia a serviço de interesses antipopulares e antinacionais e de centros de poder que se mantêm ocultos e atuando por meio de algumas redes sociais na internet, as manifestações, em alguns casos, foram infiltradas por grupos de provocadores, que recorrem à violência, aterrorizando a população, depredando ou tentando invadir sedes de ministérios, prefeituras, bancos e estabelecimentos comerciais.

Agrega-se a isto uma deriva conservadora que se expressa por meio do lançamento de palavras de ordem que visam claramente à desestabilização política do país, ao isolamento das forças de esquerda e à derrocada do governo. Pescando nas águas turvas da confusão política e ideológica provocada pelos meios de comunicação, fomentam a rejeição aos partidos políticos e ao governo, criando um ambiente propício a aventuras golpistas de cariz fascista.

A pressão para transformar as manifestações em protestos de caráter conservador contra o governo e os partidos de esquerda foi de tal ordem que o próprio Movimento do Passe Livre, que até então liderava as manifestações e se reivindica como “autônomo, anticapitalista, horizontal e apartidário”, retirou-se do ato realizado na Avenida Paulista. Militantes do MPL começaram a perceber as características conservadoras presentes em alguns discursos, palavras de ordem e sobretudo na hostilização a outras organizações do movimento social e a partidos políticos de esquerda.

O que poderia ser uma festa cívica e democrática está sendo transformado em crise política e social. Mobilizar o povo em atos organizados para exigir direitos e reformas estruturais no país é algo indispensável e tarefa dos partidos de esquerda e das organizações do movimento social, que corresponde aos interesses e aspirações do povo brasileiro a uma vida digna, à democracia ampla e participativa e ao progresso social.

Deturpar estas aspirações, transformando justos protestos sociais em ações violentas para atirar o país no caos, serve a interesses antinacionais. O povo quer avançar na construção da democracia. Continuará na luta por seus direitos e rejeitará as manobras golpistas da direita.

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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Protestos no Brasil

(Tal como no caso da clara diferença entre a cobertura dos protestos que ocorreram no Egipto e a dos que, ainda hoje, ocorrem no Bahrein - em que, notoriamente, a imprensa controlada fez uma cobertura enorme dos primeiros, enquanto muito pouco reporta, ou menciona sequer, os segundos...)
Quando, ontem, ao final do dia, apanhei, por acaso, uma parte de um telejornal da TVI, com uma emissão especial ("em directo") do Brasil, dos protestos que têm ocorrido neste país (em claro contraste com a não realização do mesmo relativamente aos protestos na Turquia) - e a fazer lembrar muito uma outra emissão especial ("em directo") que este mesmo canal fez dos acontecimentos na, agora muito conhecida, Praça Tahrir - suspeitei, logo, que se tratariam estes (no Brasil) de mais uns protestos que mereciam a aprovação do poder estabelecido...
E, quando as declarações da jornalista, correspondente em São Paulo, foram interrompidas, assim que esta começou a falar nos reais problemas do Brasil - nos quais se inclui a grande dívida externa por este país ainda detida, ainda mais suspeitei que se trataria de mais uma emissão controlada.
Mas, se apenas algumas dúvidas e suspeitas tinha eu, até agora, relativamente ao que se passa neste nosso "país irmão"... Acabei de tirar e esclarecer as mesmas, quando vi, há pouco, um vídeo (publicado no YouTube, há apenas dois dias, e) republicado num sítio brasileiro de notícias, que costumo visitar.



Segue-se o comentário que deixei a este vídeo, no sítio brasileiro de que falo...
E não acham estranho (e demasiada coincidência) este vídeo ter sido publicado na mesma altura em que têm início os protestos?
E que seja feito por alguém com sotaque americano?
Que seja feito em língua inglesa (e, maioritariamente, para o público internacional)?
Que seja muito bem produzido, com dinheiro oriundo sabe-se lá donde, por um grupo de pessoas que (com que raio de objectivo benéfico(?) - agora, que é demasiado tarde para impedir tais de ocorrer) visam apenas sabotar os eventos internacionais que se irão realizar no vosso país?
Vídeo esse, que incentiva (também) os protestos internos contra estes eventos, que têm como objectivo promover o Brasil e que o governo vê como investimentos que poderão ter um resultado benéfico na Economia?
Protestos esses, que degeneram em violência descabida e que são feitos num país emergente, não alinhado com o Ocidente - e que o último tem interesse em sabotar?
Protestos esses, que são, inclusivamente, feitos com cartazes em inglês - claramente feitos para a imprensa estrangeira?
(http://rt.com/news/mass-protests-continue-brazil-844/)
Abram os olhos...
Nem tudo o que são protestos são por uma boa causa. E, uma boa parte deles, são feitos por forças exteriores aos países onde ocorrem, com vista a sabotar (e substituir o governo de) esses mesmos países.
Ainda que não concordem com o Mundial... Acham que é bom, para o vosso país, estar agora a sabotar o mesmo? (E dar a imagem, para o exterior, de um país onde ninguém quer estar?)
Para resolver os problemas económicos, há, então, que desenvolver a Economia...
E, se o governo decidiu realizar estes eventos, foi, obviamente, com esse objectivo em mente...
Concorde-se ou não com tal estratégia de desenvolvimento, acham, mais uma vez, que é boa ideia estar agora a espalhar o caos e a violência no vosso país?