quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A primeira vez que ouvi o termo "inside job"

Foi no dia 18 de Maio de 2003, quando ouvi o início de uma interessante entrevista que tinha acabado de ser arquivada no sítio PrisonPlanet.com, feita 3 dias antes, por Alex Jones ao jornalista Barrie Zwicker sobre o 11 de Setembro.
Na altura, não fui capaz de a ouvir toda por me estar a sentir mal com o que ouvia. Por um lado, por estar já na fase final da minha pesquisa sobre os atentados e estar já seriamente convicto de que tinha sido o próprio governo norte-americano o autor destes. Mas, acima de tudo, por no início, e por volta dos 22m da mesma, o Alex Jones se referir erradamente a uma conferência, que este dizia ter ocorrido em Portugal, de profissionais da área da aviação, onde os conferencistas tinham estudado e analisado durante longas horas os atentados e tinham concluído o encontro, acusando o governo norte-americano de ter sido quem tinha orquestrado os ataques.
Na ingenuidade dos meus 20 e alguns anos de idade, e ainda desconhecedor da, algo frequente, tendência deste anfitrião de programas de rádio em - ao citar e referir a maior parte das coisas de memória - cometer incorrecções, ignorei, na altura - também por não me estar a sentir bem com o que ouvia - o usual processo de confirmar a informação, procurando pela fonte da mesma, e pensei ser real o que este relatava. E tendo sido esta uma conferência em Portugal da qual, apesar de estar atento aos vários órgãos de comunicação, eu nunca tinha ouvido falar, apanhei um grande susto, ao pensar que o controlo sobre os média era tanto, que até uma conferência destas podia ser omitida pela imprensa.
O susto desfez-se alguns dias depois, quando finalmente tentei procurar a fonte e constatei que não era esse o caso. Afinal, Alex Jones deveria sim ter-se referido a uma conferência que tinha sido reportada em Portugal, num quase desconhecido jornal semanário, e não a uma conferência que tinha ocorrido no nosso país.
A notícia em causa é a seguinte. E o jornal em que foi publicada é um simples jornal de fim-de- -semana, que é publicado em língua inglesa para a comunidade britânica em Portugal e que foi também o único órgão de imprensa, de que eu tenha conhecimento, a cobrir uma certa reunião secreta que ocorreu no nosso país.
Uma notícia que serve, apesar de tudo, como um bom exemplo de como o verdadeiro jornalismo é algo que normalmente apenas é possível em pequenas publicações, que escapam ao imenso controlo corporativo e estatal da informação, e como um muito revelador exemplo de como a nossa imprensa nacional ou está em muito controlada, ou é, em boa parte, constituída por gente (perdoem-me a franqueza) estúpida, cobarde e incompetente, que decide sempre, ou não tocar em, ou em menosprezar, o que é realmente importante e que merece ser alvo de imensa atenção.
Mas assim são as coisas. E lá teve de ser um jovem activista político, armado em "jornalista cidadão", mais uma vez, a fazer o trabalho que os profissionais desta área não querem, ou se recusam a, fazer e a chamar a atenção das pessoas para estes importantes acontecimento e notícia, sobre os mais importantes atentados da história recente.
Sobre o jornalista canadiano que é entrevistado por Alex Jones, o vídeo da autoria do primeiro de que este fala, corresponde a uma pequena boa série de perguntas e comentários sobre os atentados, que foram exibidos no canal de televisão onde trabalhava, onde ele expõe algumas das inconsistências da história oficial. E, mais tarde, este veio também a fazer um documentário e a escrever um livro sobre o assunto.
O documentário que ele refere no início da entrevista, no qual aparece Alex Jones a falar é este.

domingo, 28 de agosto de 2011

E assim vão as coisas em Espanha

No início da década passada, já em plena Democracia, o governo PP, presidido por um neto de Aznar Zubigaray - último este, que escrevia discursos para o ditador fascista Francisco Franco - financiou repetidamente a fundação que tem o nome do ditador, presidida pela sua filha, María del Carmen Franco y Polo.
Filha essa que, aquando da morte do seu pai, recebeu, da parte do rei Juan Carlos I - nomeado pelo próprio ditador fascista como seu sucessor - um título criado em honra da sua família - o ducado de Franco - como forma de reconhecimento pelo grande contributo desta família para o Estado Espanhol, passando assim esta a figurar entre os Grandes de Espanha.
Por outras palavras... O actual chefe de Estado do mui nobre Estado Espanhol é um ditador hereditário, escolhido como digno sucessor do ditador fascista pelo último. E um dos principais partidos políticos, que repetidamente ocupa o poder, é um partido com claras simpatias pelo ditador fascista que governou este país de modo brutal e criminoso durante décadas.
Terá o Fascismo realmente acabado em Espanha? Ou continuam os seus adeptos a seguir os seus ideais, sob o disfarce da Democracia?

Com isto termino esta pequena série de colocações sobre a Guerra Civil Espanhola.

A começar no dia 1 de Setembro e a terminar no dia 11, irei então publicar, ao ritmo de um por dia, alguns extras sobre a mais conhecida série de atentados de bandeira falsa, da qual se assinala agora o 10º aniversário.

sábado, 20 de agosto de 2011

Mauthausen

A saga dos anarquistas e restantes combatentes antifascistas espanhóis não acabou com a sua derrota na Guerra Civil de Espanha.
Para além dos que escolheram ficar em território espanhol e que, durante décadas, foram praticando acções de guerrilha, refugiando-se nas várias zonas de vegetação densa deste território, foram muitos os que, tendo fugido para o sul de França, com o rebentar da Segunda Guerra Mundial, voltaram a pegar em armas, não só para combater os nazis e seus colaboracionistas franceses, como também para continuar a sua luta contra os fascistas espanhóis. Formando assim parte dos vários grupos de guerrilha da Resistência Francesa que operavam predominantemente no meio rural e constituindo também grupos de espanhóis apenas que agiam de modo independente.
De entre os antifascistas espanhóis que lutaram em França e que acabaram por ser capturados pelas autoridades francesas e alemãs e de entre a maioria destes que foi simplesmente transferida dos campos de concentração franceses onde se encontravam desde a sua fuga de Espanha, estima-se que mais de 90 por cento acabaram no complexo de campos de concentração de Mauthausen- -Gusen. Um dos mais conhecidos agrupamentos de campos de extermínio nazis, pelo qual passou, entre outras pessoas famosas, o conhecido caçador de nazis Simon Wiesenthal.
Chamados "Rotspanier" ("espanhóis vermelhos") pelos alemães e tendo nas suas roupas um símbolo azul em forma de triângulo, usado pelos prisioneiros de origem estrangeira, com um "S" para indicar a sua origem espanhola, estes chegaram a constituir de início a maioria dos prisioneiros do campo de Mauthausen que deu origem ao complexo, estimando-se que tenham passado por este conjunto de campos mais de 7 mil prisioneiros espanhóis, dos quais cerca de 5 mil lá morreram.
Junto a estes antifascistas de origem espanhola foram também parar alguns de outras nacionalidades, que ao lado destes tinham lutado em Espanha nas Brigadas Internacionais.
As condições deste campo eram simplesmente brutais... E quem quiser ter uma ideia de como as coisas eram, pode ver um muito bom, e algo perturbador, documentário intitulado KZ - O Campo de Concentração de Mauthausen, que foi há uns anos exibido na RTP 2 e que facilmente se encontra na Internet.
Mas outra coisa distingue este conjunto de campos de concentração nazis dos restantes, para além de ter sido aquele onde foi parar a esmagadora maioria dos combatentes antifascistas espanhóis. É que o principal campo do agrupamento - o campo de Mauthausen em si - foi o único campo no qual - aproveitando a desorientação das forças alemãs e o estado de semi-abandono em que este foi deixado, devidos ao avanço das forças aliadas - os seus prisioneiros tomaram o controlo do mesmo e conseguiram até repelir um ataque por parte das forças alemãs, encontrando-se este já sob o domínio dos seus prisioneiros aquando da chegada das forças libertadoras.
Um óbvio resultado da experiência organizativa dos combatentes antifascistas espanhóis e de outras nacionalidades e um muito inspirador exemplo de até onde pode ir o espírito de resistência humana, até mesmo nas mais horríveis condições de extermínio sistematizado.
A libertação deste campo foi registada numa fotografia, onde foi reconstituída a chegada das tropas americanas, no dia seguinte à real libertação.
A sempre resistente presença espanhola ficou assinalada na faixa que se pode ver pendurada sobre a entrada do campo.

sábado, 6 de agosto de 2011

A Guerra Civil Espanhola

Chamada de atenção para a existência de uma série documental de 6 episódios, produzida pela BBC e Granada TV, há já quase 30 anos, sobre este conflito, onde se podem ver filmagens do que aconteceu, assim como entrevistas a alguns dos participantes e pessoas que viveram este acontecimento, que na altura ainda eram vivas.
A série existe dobrada em castelhano e em inglês. E pode ser facilmente encontrada na Internet procurando por "Guerra Civil Espanhola, A (1983)" ou pelos termos "Spanish Civil War BBC documentary".
Talvez uma boa introdução para aqueles que ainda pouco ou nada sabem sobre que guerra foi esta, agora que se assinalam os 75 anos do seu início.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Anarquistas colocados sob vigilância antiterrorista no Reino Unido

(Bem a propósito do que dizia sobre recolocar ou não aqui informação publicada nos sítios aos quais recomendo uma consulta regular, aqui vai a primeira excepção à regra...)

Mais uma previsão que fiz no passado, que acaba de se concretizar.
Há anos questionava, a propósito de um alerta que tinha sido emitido e que se traduzia numa autêntica declaração de guerra, por parte do governo norte-americano, ao fenómeno do activismo em si - numa colocação que, aliás, mereceu destaque na página principal de uma rede internacional de sítios de notícias para activistas - quanto tempo faltaria até que, de serem equiparados e colocados no mesmo saco que a al-Qaeda, os activistas norte-americanos (ambientalistas, de esquerda, que fazem campanha pelo perdão das dívidas dos países de Terceiro Mundo etc.) fossem considerados eles próprios terroristas.
Questionava também, dado o evoluir das coisas na Europa - com um partido político a ser ilegalizado no nosso Estado vizinho e com grupos de apoio a detidos, nesse mesmo território, a serem incluídos na lista de organizações terroristas da UE - quanto tempo faltaria até que todos os activistas mais incómodos fossem considerados terroristas. Assim como, avisava que a óbvia estratégia, por parte do poder estabelecido, era "a da extensão do conceito de terrorismo à própria dissidência política".
De tão ridícula que era a declaração em causa do governo norte-americano, gozava até com a situação, num comentário em que fingia citar um telefonema de alguém para o FBI a denunciar o vizinho por ser anarquista e por ter falado em ir à próxima grande manifestação que iria haver em Washington, DC...
Mal sabia eu que iria ser esse mesmo tipo de denúncia o que iria ser literalmente incentivado no futuro...
Chegou o inacreditável, o absurdo e o surreal.
Chegou há anos a Portugal, relativamente a certas acções de certos grupos - como foi o caso da acção directa, que houve em Silves, contra os transgénicos - e chega agora ao Reino Unido, relativamente às ideologias de certos grupos.
Qualquer anarquista, pelo simples facto de o ser, é agora considerado como possível terrorista no grande Estado do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.
Se isto não chega para vos abrir os olhos, então não sei o que o fará.
Acordem para o mundo real em que vivemos. Por vontade de quem nos controla a todos, os mais fundamentais direitos e liberdades, que até agora vocês tomavam como garantidos, no futuro, não irão simplesmente existir.

UK Police Tells Public To Report Anti-Government Beliefs As Terrorism
Briefing conflates dissent against the state with Al-Qaeda

Paul Joseph Watson
Infowars.com
Monday, August 1, 2011

The London Metropolitan Police is encouraging businesses and the general public to immediately report anyone who holds anti-government political beliefs to the authorities as terrorists, calling on people to become volunteer informants as the state prepares for widespread social unrest.

“This was the surprising injunction from the Metropolitan Police issued to businesses and members of the public in Westminster last week,” reports the London Guardian. There was no warning about other political groups, but next to an image of the anarchist emblem, the City of Westminster police’s “counter terrorist focus desk” called for anti-anarchist whistleblowers stating: “Anarchism is a political philosophy which considers the state undesirable, unnecessary, and harmful, and instead promotes a stateless society, or anarchy. Any information relating to anarchists should be reported to your local police.”

In also calling on people to report Al-Qaeda paraphernalia to police, the briefing conflates “anarchists” with terrorists.

“It unfairly implies that anyone involved in anarchism should be known to the police and is involved in an dangerous activity,” said Jason Sands, an anarchist from South London. “There is nothing inherently criminal about political philosophy whatever it is. The police work under the convention on human rights which disallows discrimination against people because of their political beliefs and even the request for information would seem to be in breach of that.”

Of course, the “anarchist” label could apply to a whole range of political beliefs, but the fact that the state is now openly criminalizing anti-government sentiment and encouraging people to report on their neighbors for expressing dissent or displaying any sign of their political philosophy is a clear indication of how paranoid the British government has become of its own citizens.

As anarchist Sean Smith told the Guardian, “It’s pretty absurd, but not surprising, when the state seeks to criminalise ideas it deems to be dangerous to its own survival.”

Indeed, if you want an insight into where the British government thinks this is all heading, look no further than a 2007 Ministry of Defence report which foresaw “the middle classes becoming revolutionary” and “taking on the role of Marx’s proletariat” within three decades.

“The world’s middle classes might unite, using access to knowledge, resources and skills to shape transnational processes in their own class interest,” warns the report, predicting mass unrest and social dislocation.

This is why the authorities are already putting the squeeze on any kind of political beliefs that could be construed as anti-government. They are aware of the fact that the increasingly dangerous, unjust and economically deprived post-industrial revolution now being used to eviscerate the middle class in the west will provoke a hostile and radical reaction.

Encouraging people to report on each other for political beliefs deemed undesirable by the state is precisely what happened in Soviet Russia and Nazi Germany.

One common misconception about Nazi Germany was that the police state was solely a creation of the authorities and that the citizens were merely victims. On the contrary, Gestapo files show that 80% of all Gestapo investigations were started in response to information provided by denunciations by “ordinary” Germans.

“There were relatively few secret police, and most were just processing the information coming in. I had found a shocking fact. It wasn’t the secret police who were doing this wide-scale surveillance and hiding on every street corner. It was the ordinary German people who were informing on their neighbors,” wrote Robert Gellately of Florida State University.

Gellately discovered that the people who informed on their neighbors were motivated primarily by banal factors – “greed, jealousy, and petty differences,” and not by a genuine concern about crime or insecurity.

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Paul Joseph Watson is the editor and writer for PrisonPlanet.com. He is the author of Order Out Of Chaos. Watson is also a regular fill-in host for The Alex Jones Show.

Com esta última evolução, são já duas as organizações consideradas como possivelmente terroristas (e suponho que o termo "possivelmente" também já não dure muito tempo) a que já pertenceu o autor deste blogue. Sendo uma delas a anarco-sindicalista Associação Internacional dos Trabalhadores, que é mencionada no artigo do The Guardian e que tem a ousadia de reivindicar melhores condições de trabalho e mais direitos para quem é trabalhador por conta de outrem, e a outra um mais informal e independente grupo Food Not Bombs, que pratica o imensamente terrorista acto de oferecer comida vegetariana a pessoas sem abrigo e em dificuldades (e, ocasionalmente, também a pessoas que participam em manifestações).
Bom trabalho, polícia e restantes agências de vigilância do Estado. Isto é que é verdadeiro serviço público e dinheiro dos contribuintes bem gasto. Toca a vigiar e a prender essa cambada de terroristas e a obedecer cegamente à vossa hierarquia ou a conscientemente fazer o que vocês sabem ser completamente errado. Pois o vosso governo, como sempre e melhor que ninguém, zela pelos nossos interesses e sabe bem o que está certo e o que é melhor para todos.

domingo, 31 de julho de 2011

Webster Tarpley sobre os recentes atentados na Noruega

(Por norma, não irei aqui recolocar informação publicada nos sítios listados na coluna do lado direito deste blogue. A não ser que seja informação mesmo muito importante, que me queira certificar que não escapa a ninguém. Sendo altamente recomendada a visita regular aos sítios que se encontram na categoria "Actualidade" e devendo este blogue ser encarado como um complemento à informação nestes sítios publicada e, ao mesmo tempo, como uma introdução à mesma.
Mas, para quem ainda não consulte regularmente estes sítios, venho apenas fazer uma chamada de atenção para o tipo de coisas que andam a perder.)

Se, tal como eu, já desconfiam muito relativamente à verdadeira autoria, de cada vez que ouvem falar em novos atentados terroristas a ocorrer no Ocidente, talvez queiram ouvir o que o brilhante jornalista de investigação Webster Tarpley disse há dias em duas entrevistas - [1] [2] - no programa de rádio do Alex Jones, e talvez queiram também ler o que este publicou no seu blogue, sobre os mais recentes atentados que ocorreram em solo europeu.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Bravo, Sean Hoare

Achei que, a propósito de um comentário que hoje publiquei noutro blogue, deveria assinalar aqui a morte de um jornalista que teve a coragem de denunciar o que devia, e deverá sempre, ser denunciado e que poderá, tal como muitos antes dele, ter pago por esse acto com a sua própria vida...
Que haja sempre pessoas assim, que, por mais caminhos errados que tomem ao longo das suas vidas e por mais podre que seja o mundo em que vivem - e em que todos vivemos - não percam, por completo, os seus valores e não deixem de retornar aos princípios da decência e honestidade, que deveriam ser partilhados por todos.

E como nota final, que penso ser de interesse... Reparem como quem nos diz que não há nada de suspeito na morte deste jornalista - a polícia e os média de massas - são as mesmas entidades implicadas no que este denunciou...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Libertárias

Vi finalmente, só na semana passada - 10 anos após ter perdido a sua exibição na RTP 2 - o filme Libertarias, de 1996, co-escrito e realizado por Vicente Aranda.
A começar, o genérico inicial do filme é acompanhado por aquela que é simplesmente a mais bela interpretação que alguma vez ouvi do hino A Las Barricadas.
Pelo texto que é mostrado no início, e por não saber, na altura, que realizador é este, fiquei inicialmente na dúvida se seria mais uma tentativa por parte do "sistema" de tentar retratar o Anarquismo como algo utópico e inalcançável. Mas depois de ter visto o filme e de me ter informado sobre quem é este realizador, parece-me mais ser algo na mesma onda do filme Capitães de Abril, de Maria de Medeiros, em que se tenta retratar o assunto sob um ponto-de-vista romântico.
O filme centra-se claramente no que foram os aspectos mais belos e positivos da Revolução, não esquecendo, no entanto, também os mais negativos, que foram (algumas das coisas que ocorreram e com as quais discordo profundamente) a destruição de locais de culto e obras de arte cristãos e até o fuzilamento de elementos do clero. (O qual, note-se, também não era composto por nenhuns "santinhos" e que, como sempre, tomou o lado dos fascistas e apoiava os fuzilamentos de quem se limitava a defender um governo democraticamente eleito...)
Mas quanto à história em si, parece-me ser um filme interessante. Sobretudo pelo enfoque principal que faz no papel feminino na Revolução. Mostrando que o activismo, ao contrário do que infelizmente se vê muito hoje em dia, não é essencialmente uma coisa de homens. E que até nas acções que exigem mais coragem por parte de quem nelas toma parte, não só há lugar para as Mulheres, como há aquelas que queiram participar nessas mesmas acções.
Sobre a coragem feminina, há até, a dada altura, uma cena que me deixou com os olhos ligeiramente aguados, em que uma miliciana afirma:
"Não entendemos porque a Revolução tem de ocorrer a cargo de metade da população apenas. Somos anarquistas. Somos libertárias. Mas também somos mulheres e queremos fazer a nossa Revolução. Não queremos que nos façam eles. Não queremos que a luta se organize à medida do elemento masculino, porque se deixarmos que seja assim, estaremos, como sempre, f**idas. Queremos dar tiros para poder exigir a nossa parte na hora da partilha. E, sobretudo, queremos deixar bem claro que, nestes momentos, o coração não nos cabe no peito... E seria um desatino ficarmos em casa a fazer tricô. Queremos morrer. Mas queremos morrer como homens. Não viver como criadas."
Um dos vários retratos belos, do ideal libertário, que são feitos neste filme.
Mas mais bela ainda, foi, para mim, a cena final, que me fez chorar à brava. Penso que, por uma mistura entre a beleza do que é descrito, por simbolizar a morte da Revolução e por o ideal que nela é retratado, não só ser algo que nunca verei, como algo que a minha consciência fortemente sugere que está, cada vez mais, longe de alguma vez se tornar realidade...
Deixo-vos com o genérico de que falava, que é mostrado no início do filme.

domingo, 17 de julho de 2011

O Fim da América


(Trecho e página na Wikipedia sobre o filme. Disponível para descarregamento em formato avi, ogv e mp4.)